Interrompendo a série de auto-entrevistas, gostaria de comentar o comentário de uma grande amiga. Aliás, eu disse que o faria. Penso que seja uma interação de evolução contínua, sempre com o intuito de ampliar os horizontes.
Há uns meses, essa amiga minha (que tenho em meus pensamentos, sempre) me perguntou o que eu achava da teoria da evolução de Darwin. Na época não soube responder, meu interesse apontava na direção de conseguir o cliente que nos ajudaria a pagar contas atrasadas. Afinal estávamos ali por causa disso, meu foco era conseguir o tal trabalho. Isso aconteceu há uns meses, penso que seja incrível (no sentido pejorativo) não ter nada a responder a ela sobre o assunto.
Mas lembro-me que fiquei pensando sobre isso e acabei me esquecendo da questão. Não conseguia ver nada de diferente daquilo que costumava acreditar: que o Homem tinha sido criado por algum tipo de divindade superior... o que o tornou diferente de todos os outros animais. Porém conseguia imaginar como se antes do Homem todos os outros animais haviam sido criados numa tentativa de chegar ao que somos, hoje, o 'supra-sumo' da humanidade.
Para melhor explicar o antigo raciocínio, vou criar uma analogia contemporânea. Digamos que você trabalha numa empresa de arquitetura e que tem como meta realizar um projeto que será utilizado pelo contratante. É deixado claro que todos os seus colegas de trabalho (ou equipes) terão chances iguais para realizar o projeto mas que nenhum deles será descartado. Independente do resultado, o projeto será usado, daí a quantidade de espécies diferentes na Terra. Entre o Homem e a lesma há, inclusive, a inicial maiúscula. Porém há muito mais, algo mais complexo. Ou você acha que a lesma também se acha o centro do Universo?
Entre as complicações oriundas deste tipo de raciocínio está a pergunta: quem criou a barata? Existe ser tão desprezível no 'mundo superior' que tenha perdido tempo criando um bicho tão imundo e pavoroso como a barata? Hum, uma olhadela na história da Terra e veremos que a existência de dinossauros é comprovada. Será que o sumiço destas criaturas foi devido a algum 'recall' da empresa criadora? E não estou nem falando de nada que envolva teorias e/ou fatos comprovados sobre a nossa galáxia e as outras bilhões de galáxias neste Universo.
Pois é, pensava dessa maneira e tinha quase certeza de que o Homem havia sido construído do jeito que é por algum designer, muito a ver com a teoria criacionista. Mas fui percebendo que o ser humano não é tão perfeito assim. Imagine você comprando um microcomputador que funciona diferente de outro micro do seu amigo. Imagine vários microcomputadores agindo de forma diferente. Uns ligam, outros mais ou menos. Não! É algo inimaginável. Outro exemplo extraído das palestras de Richard Dawkins (volto a falar dele depois): se vários relógios Rolex contassem o tempo de forma diferente, uns não contavam, outros contavam muito, outros pouco. O dilema é parecido com isso.
O ser humano, tão diferente um do outro e ao mesmo tempo tão parecido, me revelou impossível de ter sido 'construído' de forma programada. Bom, algo a ver com a reencarnação também não me convence hoje. Mas volto a falar disso depois.
E... o tempo foi passando até que me deparei certo dia acordei com a seguinte pergunta: falando nisso, quem foi o primeiro homem da Terra? Adão? Nããããããããããããããão! Não existe cientificamente nada que consiga provar algo a respeito. Existem boas teorias, como a da evolução, de Darwin (aliás, a mais conclusiva!). De acordo com ele e, com a grande maioria dos biólogos, somos resultados do próprio ambiente. E tudo começou na água... Sim, porque o oxigênio era um veneno. Aliás, continua sendo. Quando temos a certeza absoluta que estamos vivendo, estamos morrendo. Curioso, mas é uma condição humana. Mais ou menos assim: se somos o que somos é por causa do ambiente. E isso envolve a física, as forças elementares.
Volto a falar disso posteriormente pois estou em meio a uma enxurrada de leituras e palestras sobre o assunto porém quero deixar claro que o conhecimento do Universo é o fator essencial para o auto-conhecimento, seja ele de qual forma. E conhecer a minha origem me faz respeitar ainda mais tudo que existe no Universo.
Onde está o elo perdido entre o chimpanzé e o primeiro Homem que pensou?
E que diabos isso tem a ver com o churrasco de domingo?
sábado, 20 de setembro de 2008
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Deus e o diabo na terra do nunca - Parte I
Não escrevo para o blog há 134 dias!
Cruel para os meus milhões de leitores ao redor do mundo que perderam a bússola da vida, o verdadeiro manual de boas maneiras diante das agruras da vida.
Preciso então dar um novo rumo já que, aparentemente, a tempestade passou. Agora vem a bonança e a necessidade de continuar com os dizeres, com o relato de meu ponto-de-vista desta experiência maluca.
Pra começar quero comentar meus posts antigos, reavaliar e reafirmar posições, alguma coisa mais madura e com mais embasamento. Uma entrevista comigo mesmo seria o ideal já que dentro de mim existem alguns tipos de personalidade. Quem pergunta é o sempre desconfiado, questionador e com um sentimento neutro diante da vida, quem responde é o investigador das coisas, que leva em conta várias posições para um mesmo assunto, que vê o outro e procura pensar de outras maneiras. Curioso e "inventador", improvisa o tempo todo. O "perguntador" é implacável, até cruel porém serve como uma espécie de ombusdman de mim mesmo.
Os posts são:
1. O grão de areia e o Universo - 24.03.2008
2. Um pálido ponto azul - 31.03.2008
3. Um peido no Universo - 05.04.2008
4. A possível grande verdade - 17.04.2008
5. O gato e o homem - 23.04.2008
Na entrevista quero resumir e comentar os posts antigos. Muito provavelmente vou ter que dividir a entrevista em duas ou três partes. Depois, volto com meus posts normalmente (e semanalmente).
Aliás, quem quiser comentar ou fazer questionamentos pode fazer que eu coloco aqui junto com o texto.
Entrevista
Parte 1 - 04.09.2008
1. Pergunta: Qual a base para seus estudos?
Cristiano: Me baseio hoje em filosofia, ciência e um pouco do que costumo chamar de visão transcendental das coisas. Quando a gente fica somente em coisas que existem e são comprovadas (no caso da ciência) ou pensadas (no caso da filosofia) deixamos um monte de outras hipóteses de fora. Um exemplo: o amor, a felicidade, a raiva e tantos outros sentimentos estão onde? A ciência não prova nada (ainda) em relação a isso muito menos a filosofia. Porém a filosofia ainda chega mais perto quando trata, principalmente, de ética e moral. Talvez, não sei. Preciso me aprofundar mais no assunto.Uma outra fonte de conhecimento e questionamento são os textos do Osho. São pensamentos simples que suscita mudanças profundas no dia-a-dia. Acho interessante ter esse caminho disponível quando as outras fontes não dão conta.
2. Pergunta: Pelo que pude perceber tua vida foi permeada de religiosidade, até que ponto isso é verdade?
Cristiano: Sim, é verdade. Cresci dentro da igreja católica, meus pais e avós eram muito católicos e acabei ficando por ali até uns 14, 15 anos. Tenho algumas lembranças estranhas desse tempo, outras nem tanto. Lembro-me do sentimento de paz que me invadia quando a missa de domingo terminava e voltava pra casa. Com o tempo percebi que esse mesmo sentimento de paz aparece sempre que termino uma obrigação ou alguma coisa chata de fazer, como lavar a louça, por exemplo. Se Jesus me acompanhava no caminho de volta ao término da missa, então ele também estava comigo quando terminava de lavar a louça. Ou seja, não precisava ir à missa para me sentir bem muito menos frequentar uma religião dessa estirpe. Uma questão simples de dever cumprido que nada tem a ver com religiosidade.
3. Pergunta: Pelo que entendi você vê na ciência e na filosofia caminhos possíveis para se chegar à verdade?
Cristiano: É muito relativo e tudo deve ser analisado com cuidado. Não disse que a ciência ou a filosofia (ou ambas) são caminhos certos porém vejo com muito carinho matérias relacionadas ao ser humano e ao Universo tratadas por estes ramos do conhecimento. Provavelmente existem mais apoios, tais como a psicologia e até mesmo a cosmologia (que não deixam de ser ramos da ciência). Na verdade, essas inúmeras nomenclaturas causam confusão. A idéia é só uma e o que suscita em mim a curiosidade: quem sou, de onde vim e para onde vou? Posso rebater o argumento usando a filosofia: por quê eu teria de ser algo, ir pra algum lugar? Por quê tudo precisa ter sentido? Não encontrei nem pista disso na igreja católica, nem no espiritismo ou qualquer religião que tenha esse sentido. Não dá pra simplesmente aceitar uma 'verdade', pronto e acabou. Quando isso acontece, a pessoa morre.
4. Pergunta: Você está dizendo que a felicidade e a vida estão no conhecimento?
Cristiano: Filosofando: mas o que é felicidade? E o que é conhecimento? Não posso dizer que o conhecimento traz mais felicidade ou não, nem o contrário mas vejo que podemos nos informar a respeito das coisas. Veja bem: alguém que não tem muito conhecimento de si mesmo ou do Universo é muito mais suscetível a aceitar qualquer idiotice que lhe jogam na frente. O que existe de bonito em alguém que se mata por alguma coisa que supostamente criou o mundo? (me referindo aos terroristas suicidas). É tão absurdo quanto afirmar que Moisés abriu o Mar Vermelho, que Jesus vai voltar 'dos céus' para levar seus fiéis com ele ou acreditar que existe papai noel e/ou cegonha. Quem criou deus criou o diabo, é simples. E hoje posso afirmar, não muito baseado em conhecimento propriamente dito mas em observação, que não existe nem uma coisa nem outra.
5. Você não pode afirmar que o mal não existe...
Cristiano: Claro que o mal existe, mas é apenas um conceito, assim como o bem. Se o próprio Homem assumisse que o mal está nele mesmo e não em um bicho chifrudo, feio e vermelho talvez o mundo fosse melhor. Isso serve também para o bem. O ser humano tem o poder de fazer o que chamamos de mal, claro. E também de fazer o bem. O problema é que quase nunca atribui-se ao próprio homem sua leviandade ou divindade. O que acredito que existe dentro do ser humano (entre outras coisas) é uma necessidade de descobrir sua essência. Por isso a necessidade da religião (ou religação). Para ilustrar um pouco essa idéia assista ao filme "Blade Runner", onde um andróide busca conhecer sua origem. Aliás, quando disse necessidade de religião quis dizer que o Homem procurou e procura respostas para sua origem, uma das características que o diferencia dos outros animais. Voltando ao assunto do bem e do mal, tudo seria muito mais fácil se aceitássemos que da mesma maneira que amamos, odiamos. Ou seja, tudo está dentro de nós mesmos.
(continua...)
Cruel para os meus milhões de leitores ao redor do mundo que perderam a bússola da vida, o verdadeiro manual de boas maneiras diante das agruras da vida.
Preciso então dar um novo rumo já que, aparentemente, a tempestade passou. Agora vem a bonança e a necessidade de continuar com os dizeres, com o relato de meu ponto-de-vista desta experiência maluca.
Pra começar quero comentar meus posts antigos, reavaliar e reafirmar posições, alguma coisa mais madura e com mais embasamento. Uma entrevista comigo mesmo seria o ideal já que dentro de mim existem alguns tipos de personalidade. Quem pergunta é o sempre desconfiado, questionador e com um sentimento neutro diante da vida, quem responde é o investigador das coisas, que leva em conta várias posições para um mesmo assunto, que vê o outro e procura pensar de outras maneiras. Curioso e "inventador", improvisa o tempo todo. O "perguntador" é implacável, até cruel porém serve como uma espécie de ombusdman de mim mesmo.
Os posts são:
1. O grão de areia e o Universo - 24.03.2008
2. Um pálido ponto azul - 31.03.2008
3. Um peido no Universo - 05.04.2008
4. A possível grande verdade - 17.04.2008
5. O gato e o homem - 23.04.2008
Na entrevista quero resumir e comentar os posts antigos. Muito provavelmente vou ter que dividir a entrevista em duas ou três partes. Depois, volto com meus posts normalmente (e semanalmente).
Aliás, quem quiser comentar ou fazer questionamentos pode fazer que eu coloco aqui junto com o texto.
Entrevista
Parte 1 - 04.09.2008
1. Pergunta: Qual a base para seus estudos?
Cristiano: Me baseio hoje em filosofia, ciência e um pouco do que costumo chamar de visão transcendental das coisas. Quando a gente fica somente em coisas que existem e são comprovadas (no caso da ciência) ou pensadas (no caso da filosofia) deixamos um monte de outras hipóteses de fora. Um exemplo: o amor, a felicidade, a raiva e tantos outros sentimentos estão onde? A ciência não prova nada (ainda) em relação a isso muito menos a filosofia. Porém a filosofia ainda chega mais perto quando trata, principalmente, de ética e moral. Talvez, não sei. Preciso me aprofundar mais no assunto.Uma outra fonte de conhecimento e questionamento são os textos do Osho. São pensamentos simples que suscita mudanças profundas no dia-a-dia. Acho interessante ter esse caminho disponível quando as outras fontes não dão conta.
2. Pergunta: Pelo que pude perceber tua vida foi permeada de religiosidade, até que ponto isso é verdade?
Cristiano: Sim, é verdade. Cresci dentro da igreja católica, meus pais e avós eram muito católicos e acabei ficando por ali até uns 14, 15 anos. Tenho algumas lembranças estranhas desse tempo, outras nem tanto. Lembro-me do sentimento de paz que me invadia quando a missa de domingo terminava e voltava pra casa. Com o tempo percebi que esse mesmo sentimento de paz aparece sempre que termino uma obrigação ou alguma coisa chata de fazer, como lavar a louça, por exemplo. Se Jesus me acompanhava no caminho de volta ao término da missa, então ele também estava comigo quando terminava de lavar a louça. Ou seja, não precisava ir à missa para me sentir bem muito menos frequentar uma religião dessa estirpe. Uma questão simples de dever cumprido que nada tem a ver com religiosidade.
3. Pergunta: Pelo que entendi você vê na ciência e na filosofia caminhos possíveis para se chegar à verdade?
Cristiano: É muito relativo e tudo deve ser analisado com cuidado. Não disse que a ciência ou a filosofia (ou ambas) são caminhos certos porém vejo com muito carinho matérias relacionadas ao ser humano e ao Universo tratadas por estes ramos do conhecimento. Provavelmente existem mais apoios, tais como a psicologia e até mesmo a cosmologia (que não deixam de ser ramos da ciência). Na verdade, essas inúmeras nomenclaturas causam confusão. A idéia é só uma e o que suscita em mim a curiosidade: quem sou, de onde vim e para onde vou? Posso rebater o argumento usando a filosofia: por quê eu teria de ser algo, ir pra algum lugar? Por quê tudo precisa ter sentido? Não encontrei nem pista disso na igreja católica, nem no espiritismo ou qualquer religião que tenha esse sentido. Não dá pra simplesmente aceitar uma 'verdade', pronto e acabou. Quando isso acontece, a pessoa morre.
4. Pergunta: Você está dizendo que a felicidade e a vida estão no conhecimento?
Cristiano: Filosofando: mas o que é felicidade? E o que é conhecimento? Não posso dizer que o conhecimento traz mais felicidade ou não, nem o contrário mas vejo que podemos nos informar a respeito das coisas. Veja bem: alguém que não tem muito conhecimento de si mesmo ou do Universo é muito mais suscetível a aceitar qualquer idiotice que lhe jogam na frente. O que existe de bonito em alguém que se mata por alguma coisa que supostamente criou o mundo? (me referindo aos terroristas suicidas). É tão absurdo quanto afirmar que Moisés abriu o Mar Vermelho, que Jesus vai voltar 'dos céus' para levar seus fiéis com ele ou acreditar que existe papai noel e/ou cegonha. Quem criou deus criou o diabo, é simples. E hoje posso afirmar, não muito baseado em conhecimento propriamente dito mas em observação, que não existe nem uma coisa nem outra.
5. Você não pode afirmar que o mal não existe...
Cristiano: Claro que o mal existe, mas é apenas um conceito, assim como o bem. Se o próprio Homem assumisse que o mal está nele mesmo e não em um bicho chifrudo, feio e vermelho talvez o mundo fosse melhor. Isso serve também para o bem. O ser humano tem o poder de fazer o que chamamos de mal, claro. E também de fazer o bem. O problema é que quase nunca atribui-se ao próprio homem sua leviandade ou divindade. O que acredito que existe dentro do ser humano (entre outras coisas) é uma necessidade de descobrir sua essência. Por isso a necessidade da religião (ou religação). Para ilustrar um pouco essa idéia assista ao filme "Blade Runner", onde um andróide busca conhecer sua origem. Aliás, quando disse necessidade de religião quis dizer que o Homem procurou e procura respostas para sua origem, uma das características que o diferencia dos outros animais. Voltando ao assunto do bem e do mal, tudo seria muito mais fácil se aceitássemos que da mesma maneira que amamos, odiamos. Ou seja, tudo está dentro de nós mesmos.
(continua...)
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