segunda-feira, 31 de março de 2008

Um Pálido Ponto Azul

Queria começar, nesta semana, com um pequeno trecho do livro "Um Pálido Ponto Azul", de Carl Sagan, publicado em 1994. Pra quem não conhece, Carl Sagan (1934-1996) foi astrônomo, astroquímico, astrofísico, etc etc etc mas o mais importante é que foi um ser humano consciente de sua ínfima participação no Universo, o que lhe facultava plenas condições de responder pelo nosso planeta Terra, caso necessário. O livro em questão discorre sobre o que o planeta Terra representa para o Universo, de longe é apenas um pequeno pálido ponto azul, o que dizer dos seres que o habitam?

"Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "lideres supremos", todos os santos e pecadores da historia da nossa espécie, ali – num grão de poeira suspenso num raio de sol.
A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes.
Nossas atitudes, nossa pretensa importância, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, em meio a toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos.
A Terra é, até agora, o único mundo conhecido que abriga a vida. Não há nenhum outro lugar, ao menos no futuro próximo, para onde nossa espécie possa migrar. Visitar, sim. Goste-se ou não, no momento a Terra é o nosso posto.
Tem-se dito que a astronomia é uma experiência que forma o caráter e ensina humildade. Talvez não exista melhor comprovação da loucura das vaidades humanas do que esta distante imagem de nosso mundo minúsculo. Para mim, ela sublinha a responsabilidade de nos relacionarmos mais bondosamente uns com os outros e de preservarmos e amarmos o pálido ponto azul, o único lar que conhecemos."

O quanto faz bem para mim, saber a existência de milhares de galáxias, bilhões de planetas. Saber que a Terra pode sumir num segundo. Tudo isso passa a ter um significado quase inexistente em relação ao que tenho, ao que pareço ou ao que aparento ser mas torna-se imenso em relação a minha existência no Universo enquanto fagulha errante imortal (s.i.c.).

Entre a mais longínqua galáxia e a menor corda (segundo a teoria das cordas) estão as respostas para minhas questões. Vou procurar aqui e ali, identificar e catalogar - para consultas posteriores - todos os meus passos nesse sentido.

Sagan me presenteou com estas idéias e repasso o presente a todos que queiram. Imagino que o trânsito caótico de São Paulo (e das grandes cidades) e toda a correria contra nós mesmos passe a ter um significado bem menor que o necessário. É o meu desejo mais profundo nesta segunda-feira com cara de quarta-feira morna.

segunda-feira, 24 de março de 2008

O grão de areia e o Universo

Minha tarefa mais difícil é trazer para o 'papel' pensamentos que dizem respeito ao universo, à mim mesmo, às pessoas, aos bichos de tudo quanto é tipo e a tudo que me cerca. Tenho algumas linhas de raciocínio e esboços de algo mais paupável para aperfeiçoar no decorrer da vida e entendo que, muito mais do que a exposição de minhas idéias na internet, este blog serve como base de organização do que já li, pensei sobre, concluí ou não. Antecipo que são idéias mutáveis já que a compreensão do universo (ou a mera tentativa) leva muito, muito e muito tempo e conceitos podem (e devem) ser relidos sempre que necessário. Confesso que pensei em escrever um livro de memórias mas desanimei com a quantidade de páginas que precisaria conter. Certamente ninguém - nem minha mãe - teria paciência para ler pensamentos vindos de uma mente inquieta.

Primeiro porque os pensamentos parecem lutar entre si dentro da minha cabeça: de um lado os pensamentos sobre minha vida e minha relação com o externo (entende-se: pessoas, natureza, etc), de outro conceitos oriundos de não sei onde exatamente que tratam de questões sobre o universo em si abragendo desde a sua constituição, de onde vem pra onde vai, por exemplo. Tem um grupo pequeno de pensamentos que são o meu passado, o meu presente e o meu futuro. Fatos cotidianos alegres outros nem tanto que acabam povoando (mesmo contra minha vontade) minha cabeça.

Segundo porque acima de meus julgamentos acerca de fatos, situações, comportamentos etc existe o bom senso e a tentativa assídua de entender o mundo e às pessoas. Tanto de fora pra dentro quanto de dentro pra fora. Não tenho como ignorar, antecipadamente, nenhum tipo de pensamento seja ele ultrapassado e se for, darei aqui meu parecer. Entendo que a melhor maneira de ter uma visão melhor das coisas é analisá-las sob todos os ângulos possíveis. Por conseguinte, a conclusão será mais consistente e abrangente.

Terceiro e último porque a impressão que se tem de alguém que pretende estudar o mundo e conceber opiniões imparciais resultantes de estudos aprofundados é que este ser (aqui brinco com o rótulo 'gente da pior estirpe') tem a audácia de desvendar o indesvendável, de traduzir o intraduzível e coisas do gênero. Quero suscitar o pensamento, incitar a liberdade, dar minha contribuição ao Universo mesmo que esteja redondamento enganado.

Não posso começar o blog com textos sobre minha visão de mundo quando tinha 18 ou 19 anos, o que entendia por mundo não me serve mais. Vou começar citando algumas outras pessoas a quem vou dedicar muito tempo estudando seus escritos, tanto de base filosófica, científica ou teosófica (ou metafísica). Existem aqueles que dedicam ou dedicaram sua vida a outras ciências, tais como a sociologia, economia, história, tecnologia e outros setores igualmente importantes para a humanidade.

Passar a vida dialogando com idéias deste tipo torna-me mais sereno. Sinto-me menos sozinho, apesar de existir tão pouca vida inteligente neste planeta água. Anos atrás, disse: a Terra é o Capão Redondo do Universo. Errei por pouco. Mas eu volto com boas e novas notícias do mundo pensante. Seja bem-vindo e aproveite!